Queima do Judas 2026

Raiz que Resiste

Nesta festa erguida entre vinhas e história,
Canta em setembro a sua memória.
Desde mil novecentos e sessenta e três,
há festa no ar, há tradição outra vez!

Desce o povo à rua com alma e verdade,
Festejar a vindima, nesta festa que deixa saudade.
Festa feita com amor, cuidado e paixão,
Pelas pessoas que trazem Palmela no coração!

Aqui todos somos voluntários
Com interesses meramente solidários!
Trabalhamos com muita dedicação
Ao serviço da nossa terra e da sua celebração!

No cartaz vive a herança de um tempo original,
Guardando tradições com valor intemporal;
A marcha é composta por talento da nossa gente,
Motivo de orgulho para quem a faz e para quem a sente!

Numa noite de gala, brilho e emoção,
Jovens de Palmela disputam com graça e devoção;
A Rainha é eleita para Palmela representar,
Uma vez coroada, já podemos brindar!

Os camponeses desfilam na manhã de domingo,
Entre cantares e trajes que vêm do tempo antigo;
A Igreja de São Pedro acolhe este caminho,
Onde a fé e a terra se encontram no destino.

E após a pisa da uva no lagar tradicional,
O mosto é medido, num gesto simbólico e ritual;
Celebra-se a colheita em gesto partilhado,
É o primeiro mosto que é por Deus abençoado.

O cortejo alegórico é um sonho pintado,
De cores vivas e de engenho moldado;
Mas sob telhados que deixam entrar inspiração,
Chove mais lá dentro — já faz parte da tradição!

Entre penas e voos de ar descontraído,
Há quem diga que o tema já vem… enriquecido;
Os pombos, artistas de mérito inesperado,
Deixam a sua marca em cada carro alegórico criado!

Que pode este ano nem vir a acontecer,
E esta tradição podemos mesmo perder;
Faltam condições, falta um lugar digno para criar,
Um pavilhão onde o cortejo se possa abrigar.

Porque entre arte e fé na previsão,
Vai-se erguendo a festa com improvisação;
Mas nem só de engenho vive esta missão,
Também precisa de espaço, respeito e proteção.

A nossa festa é muitas vezes comparada
Com outras festas sem tradição vincada!
Mas tradição não se compra nem se inventa,
É algo que se constrói e o tempo sustenta.

É uma festa de orçamento bem pesado,
Mas de apoio leve… quase aligeirado!
Vale-nos quem a sente no coração,
Que insiste em não deixar cair a tradição!

A Festa das Vindimas é também social,
E nada disto se faz de forma banal;
Cedemos espaço às nossas associações,
Dando palco sem pesar nos seus tostões.

Mesmo com contas a pedir contenção,
Mantemos esta partilha por convicção;
Porque sem as associações a participar,
Não há festa que se consiga sustentar.

Há contas antigas ainda por acertar,
E faturas que teimam em não se dar a pagar;
Precisamos de apoio que não seja só de ocasião,
Sem tirar valor ao logístico — a esse nunca se diz não!

Mas falta ainda reforço financeiro de verdade,
Porque só vontade não paga a realidade;
E sendo esta festa mais que um evento local,
Leva Palmela bem longe — até no plano internacional.

Palmela resiste, com força e raiz,
É o povo que a faz, é o povo que a quis;
E enquanto houver vinho, memória e união,
A festa erguer-se-á no nosso coração!

PARTILHAR

Festa das Vindimas

Siga-nos em